Se a teoria é rapidamente esquecida,
o gesto e a experiência artística
ficam no corpo, na memória, no olhar.

Abr 092017
 
No âmbito do Encontro Cinema e Educação, organizado pela Cinemateca Portuguesa e a associação Os Filhos de Lumière, Révolution École 1918-1939, de Joanna Grudzinska, será apresentado na quinta-feira 20 de Abril de 2017 às 21h30 na Cinemateca, com a presença de Joanna Grudzinska.
Copia legendada em português.

"A história de um sonho e da sua parcial (temporária?) derrota. Com base em documentos de arquivo hoje em grande parte esquecidos, Joanna Grudzinska analisa as tentativas radicais de concetualização e construção de uma nova escola que nasceram na Europa no rescaldo da Primeira Guerra Mundial, que foram rapidamente interrompidas pelo contexto da Segunda, e que só parcialmente foram retomadas depois. São abordadas as ideias e as experiências de Maria Montessori, Célestin Freinet, Alexander S. Neill, Ovide Decroly, Paul Geheeb, Rudolf Steiner ou Janusz Korczak – “estes pedagogos que, a contracorrente dos dogmas da sua época, inventam uma educação mista e livre em que a realização plena da criança triunfa sobre a disciplina” (Pierre Ancery). 
Primeira exibição na Cinemateca."
in programa da Cinemateca

na internet (em francês)
"Une épopée de craie et de cendres", por Pierre-Jean Catinchi - Le Monde
in Télérama, por Pierre Ancery
in France Inter, por Sonia Devillers

Abr 082017
 
O Encontro Cinema Educação, organizado pela Cinemateca Portuguesa e a associação Os Filhos de Lumière,  vai decorrer de 20 a 22 de Abril de 2017 na Cinemateca Portuguesa

Num contexto em que volta a ser tema de discussão alargada a relação entre a educação e as artes – não apenas o ensino artístico mas o universo mais vasto da educação pela arte e do papel das artes em todo o âmbito educativo –, num contexto em que vários novos projetos sobre a iniciação ao cinema percorrem a Europa e têm eco no nosso país (CinED, Moving Cinema, Cinéma cent ans de jeunesse), e num contexto em que está, aliás, em desenvolvimento mais uma iniciativa governamental em que se procura a inserção do cinema nos percursos escolares (o Plano Nacional de Cinema), a Cinemateca junta-se à Associação Os Filhos de Lumière para organizar um encontro dedicado às múltiplas vertentes da relação entre o Cinema e a Educação. Coincidindo com as comemorações dos 10 anos da Cinemateca Júnior, o objetivo é integrar a nossa própria reflexão sobre o papel que nos cabe neste âmbito numa reflexão mais ampla sobre o cinema enquanto experiência educativa e sobre o trabalho educativo feito com o cinema. Neste encontro, autores e investigadores de várias áreas – tanto do lado da educação como do lado do cinema – serão convidados a levantar questões e a debater o tema, cruzando experiências e ideias numa agenda de discussão aberta, que permita acima de tudo ampliar o âmbito conceptual normalmente tido em conta neste campo. Não esquecendo experiências passadas inovadoras – muitas delas descontinuadas ou até esquecidas, na área do cinema como na área da pedagogia – o objetivo será o de trabalhar o cinema como um dos contributos possíveis para rasgar as fronteiras mais convencionais da experiência educativa, ao mesmo tempo que se trabalha a experiência educativa como área exploratória de novos caminhos cinematográficos. De um e do outro lado, o desafio é portanto o da própria intensificação da experiência, assim como o da máxima exigência e abertura no decurso dela."
in programa da Cinemateca

O encontro, aberto a todos os interessados, decorre na Sala M. Félix Ribeiro nos dias 21 e 22 de abril
(21 de abril entre as 10h e as 17h; 22 de abril entre as 10h e as 13h)
e é também o contexto da apresentação de "Révolution École 1918-1939", de Joanna Grundzinska
e “A Professora da Aldeia”, de Mark Donskoy, nas sessões das 21h30 de 20 e das 19h de 21 de abril.

Quinta-feira, 20 de abril, 21h30

"Révolution École 1918-1939", de Joanna Grundzinska - legendado eletronicamente em português
Com a presença de Joanna Grudzinska - Projeção seguida de debate

Sexta-feira, 21 de abril, 10h00-13h00

PEDAGOGIA, ARTES, CINEMA: INTERESSAR A ESCOLA / TRANSFORMAR A ESCOLA

Intervenções: Miguel Honrado, Secretário de Estado da Cultura / Maria Emília Brederode Santos
José Manuel Costa / Pierre Marie Goulet / Teresa Garcia / João Mário Grilo  / Alain Bergala

Sexta-feira, 21 de abril, 14h00-17h00

ESTUDOS DE CASO: PROJETOS NACIONAIS E TRANSNACIONAIS
A SENSIBILIZAÇÃO AO CINEMA DENTRO E FORA DA ESCOLA

Intervenções: João Costa, Secretário de Estado da Educação /Elsa Mendes (Plano Nacional de Cinema) / Ana Eliseu e Rossana Torres (Associação “Os Filhos de Lumière”) / Neva Cerentola (Cinemateca Júnior) / Nathalie Bourgeois (Cinéma, cent ans de jeunesse) / Lena Rouxell (CinEd)
Jacques Lemière (Université Lille 1) / Guilherme d'Oliveira Martins

Sexta-feira, 21 de abril, 19h00

A Professora da Aldeia”, de Mark Donskoi - legendado eletronicamente em português

Sábado, 22 de abril, 10h00-13h00

A UTILIZAÇÃO DO CINEMA NO SEIO DO SISTEMA ESCOLAR:
O PONTO DE VISTA DOS PROFESSORES

Intervenções:
Entre outros, professores das escolas Marquesa de Alorna, Pintor Almada Negreiros, Luis António Vernay (Lisboa), Escola Secundária de Pinhal Novo, Agrupamento de Escolas de Mértola e Escola Secundária Damião de Goes (Alenquer)


Dez 162015
 
Teresa Garcia e Rossana Torres foram convidadas a participar, em representação da Associação Os Filhos de Lumière, a conferência “A Escola e o Cinema” que teve lugar no dia 14 de Dezembro no Auditório José Saramago da Escola Secundária du Bocage em Setúbal.
Uma sessão organizada pela coordenação do Clube de Cinema da Escola Secundária du Bocage, contou com a presença de representantes de outras escolas secundárias, da associação Apordoc e Serviço Educativo do DocLisboa, do Plano Nacional de Cinema da Escola Básica e Secundária Lima de Freitas. Teve como temas de discussão “A Educação para o Cinema e o Audiovisual” com a presença do realizador Lauro António; “O Ensino (através) do Documentário” e “Praticas de educação cinematográfica em contexto educativo” que contou com a presença das realizadoras e formadoras das oficinas do projecto O Mundo à Nossa Volta.
Ago 012014
 
Por uma política europeia
de educação ao cinema 

Junho de 2014

As boas práticas europeias que poderiam fazer escola

2- Na Europa, fora do tempo escolar escolar - A associação Os Filhos de Lumière em Lisboa

A associação Os Filhos de Lumière foi criada em 2000 por um grupo de cineastas portugueses, que quiseram desenvolver actividades de educação ao cinema, insistindo sobre a dimensão sensível da arte. A associação dirige-se a todos e procura iniciar as crianças, desde a idade dos 6 anos até aos que estão a terminar a escola. É preciso sublinhar a dinâmica e inteligência das acções que desenvolve, que podem nomeadamente compensar a escassez de acções públicas no domínio da educação ao cinema. Os Ministérios públicos portugueses foram, por causa de uma situação económica difícil, obrigados a limitar certos programas.

Os Filhos de Lumière propõe, fora do contexto escolar, um grande número de oficinas destinados a todos :

- às crianças e adolescentes : o programa O Primeiro Olhar, criado em 2001, que permite aos jovens realizar uma curta metragem, documentário ou ficção, sobre o que as rodeia : a sua cidade ou o seu bairro. Este atelier é uma forma de transmitir ao mesmo tempo noções teóricas e práticas. As realizações são depois projectadas em grand écran, nos espaços parceiros da associação.
       
- aos adultos, professores e educadores : o programa Filmar, igualmente criado em 2001, toma  a forma de discussões e análise de filmes chave da história do cinema e depois a realização de curtas metragens.

- aos  jovens estudantes de teatro e cinema : o programa Acção permite de se familiarizar e utilizar uma câmara.

A associação Os Filhos de Lumière faz igualmente parte, desde 2006 do projecto lançado pela Cinemateca francesa, Le Cinéma, cent ans de jeunesse (O Cinema, cem anos de juventude) ; e desde 2012, no intercâmbio cultural Comenius que associa as escolas da Moita em Portugal á escola de Bordils na Catalunha em Espanha.

Enfim, a associação Os Filhos de Lumière iniciou em 2013, um programa no contexto escolar. Apesar dos esforços dos poderes públicos, as projecções no período escolar e em sala de cinema não são financiadas. A associação assegura desde 2012 o programa  A Escola no Cinema  similar ao programa francês "École et Cinema". Um filme é apresentado em sala em cada trimestre, depois trabalhado na escola : os filmes de Yasujiro Ozu, Ohayo, Manoel de Oliveira, Aniki Bóbó, e Jacques Demy Les Demoiselles de Rochefort fazem parte do programa.

A associação Os Filhos de Lumière, pela qualidade do seu programa e o seu dinamismo, faz prova de uma grande eficácia, propondo acções complementares fora do tempo escolar e durante o tempo escolar e participando em projectos de dimensão extra-nacional.




Jul 312014
 
Por uma política europeia
de educação ao cinema 

2 Junho de 201

As boas práticas europeias que poderiam fazer escola


1- Na Europa, no contexto escolar - O intercâmbio cultural Comenius "Bordils-Moita"

"Bordils-Moita" é um projecto inovador, lançado em 2012 e que se estende até 2014. Trata-se de uma parceria entre a associação portuguesa Os Filhos de Lumière e a associação catalã A Bao A Qu, as escolas José Afonso em Alhos Vedros, Moita, perto de Lisboa, e a escola de Bordils na Catalunha, Espanha. A parceria construiu-se no âmbito do programa europeu Comenius Régio que o financiou.
As duas associações participam para além disso no programa da Cinemateca Francesa Le Cinéma cent ans de Jeunesse (Cinema, cem anons de juventude). Esta parceria tomou a forma de um "intercâmbio cultural e audiovisual" na perspectiva de "descobrir e construir o património local e europeu através da criação audiovisual ".

O projecto junta as escolas no seu conjunto, associando todas as turmas compostas de alunos dos 3 aos 13 anos. Os alunos partilham com os colegas do seu ano escolar. (...) Ao longo de todo o ano, todas as turmas tiveram a oportunidade de dar a descobrir a sua região através de um Blog que lhes foi disponibilizado – www.bordilsmoita.org -  onde publicaram as fotografias e filmes realizados, os sons e os textos. O carácter documental foi o mais desenvolvido. O projecto termina com uma exposição nas duas cidades, projecções de filmes e a edição de um livro, para dar o devido valor aos trabalhos realizados.

Este projecto inovador, realizado no contexto europeu, surge como um modelo de colaboração e de educação artística. Embora neste caso a educação ao cinema não seja a principal prioridade, podemos imaginar que no futuro, intercâmbios culturais similares poderão desenvolver-se entre escolas fazendo da prática do cinema o ponto central do projecto.



Fev 182013
 

Para este primeiro colóquio realizado no âmbito do programa "A Iniciação ao Cinema: Experiências e Reflexões" que vai decorrer no dia 21 de Fevereiro de 2013, entre às 10h00 e às 16h30, no Auditório do Institut Français de Portugal,  convidamos várias pessoas/entidades a fazer uma reflexão sobre a sua prática, a sua experiência de transmissão, as suas convicções acerca do como fazer e desenvolver o encontro com o cinema, na escola, na comunidade, por vezes numa região onde o cinema quase não tem existência concreta. Para além de Nathalie Bourgeois directora do Serviço Pedagógico da Cinemateca Francesa que coordena o programa pedagógico Le Cinéma, cent ans de jeunesse / Cinema, cem anos de juventude, contamos também com a presença  das responsáveis de duas associações que levam a cabo um vasto projecto de iniciação ao cinema, na Catalunha em Espanha (A Bao A Qu) e no Brasil (Imagens em Movimento), com cineastas e representantes de instituições, associações, cineclubes, escolas e autarquias, de várias regiões de Portugal onde existe um projecto, uma prática de sensibilização ao cinema.

A nossa grande preocupação é sensibilizar crianças e jovens para a arte cinematográfica. Mostrar imagens que as crianças não estão habituadas a ver e, sobretudo, imagens que elas não têm a oportunidade de ver. E dar-lhes pistas para que olhem essas imagens de outra maneira, para que através delas desenvolvam um contacto mais intenso e exigente com as coisas da vida e do mundo. É necessário levar ao conhecimento dos seres em crescimento o cinema como forma de contar histórias através da sua matéria específica: a matéria cinematográfica. Levá-los a criar um imaginário através da descoberta de espaços e tempos, formas e cores, sons e ritmos, palavras e lugares, paisagens e universos, etc., graças à experiência insubstituível que as grandes obras de cinema proporcionam.

O cinema é também o encontro com o mistério, com os segredos do mundo, com o próprio mundo, próximo ou longínquo, e com cada um de nós. No contacto com os filmes, na situação de aprendizagem pelo cinema, na passagem ao acto de filmar ganha-se muito, às vezes tudo, se essa transmissão for protagonizada por alguém para quem o cinema é vital. 

Como os mais novos aprendem com o corpo e com os sentidos, a experiência prática aliada ao contacto e análise dos filmes ajuda-os a ir mais longe no seu processo de conquista de horizontes alargados. As crianças envolvidas nas práticas implementadas aprendem a observar o que as rodeia, a reinventar o espaço e as coisas, a fazer escolhas, a tomar decisões, a desenvolver a auto-exigência, o rigor, a atenção, a concentração, a capacidade de trabalhar em equipa etc. Aprendem ainda a partilhar os seus filmes e experiências com os outros a exprimirem  os seus sentimentos e as suas descobertas

Falar de todas estas questões é também falar de todas as dificuldades e de todas as batalhas que é preciso travar para que estes projectos existam e sobretudo para que se desenvolvam. Se a sua importância é cada vez mais discutida e reconhecida em toda a união europeia e em muitos outros países, na prática estes projectos são muito pouco considerados, muito pouco apoiados e sobretudo quase não se fala e não se reflecte sobre eles. É também isso que este encontro/colóquio procura combater.


Participantes: Nathalie Bourgeois (Service Pédagogique de la Cinémathèque Française), Ana Dillon (Associação Imagens em Movimento, Rio de Janeiro), Núria Eidelman (Associação A Bao A QuCinema em Cur, Barcelona), Maria do Carmo Piçarra (Investigadora na área do Cinema),  Ana Eliseu (Cineasta), Maria João Taborda (Investigadora/Apordoc), Regina Guimarães, Saguenail, Rossana Torres, Teresa Garcia (Cineastas/ Os Filhos de Lumière), Rodrigo Francisco (Cineclube de Viseu), Graça Lobo (programa JCE/Juventude-Cinema-Escola, Direcção Regional da Educação do Algarve), Neva Cerantola (Cinemateca Júnior), Sofia Figueiredo (Câmara Municipal da Moita/Cultura), Isabel Estevens (Câmara Municipal de Serpa/Cultura).