Se a teoria é rapidamente esquecida,
o gesto e a experiência artística
ficam no corpo, na memória, no olhar.

Jun 042016
 


Dezasseis jovens portugueses, entre os 8 e os 18 anos, vão apresentar na sala Henri Langlois da Cinemateca Francesa nos dias 8, 9 e 10 de Junho de 2016  os filmes-ensaio que resultaram do trabalho de iniciação ao cinema em que participaram este ano.

Em representação de todos os  que participaram no programa pedagógico Cinema, cem anos de juventude, em escolas de Lisboa, Moita e Serpa, estes jovens irão partilhar com centenas de outros participantes de várias regiões de França, Espanha, Itália, Bélgica, Inglaterra, Alemanha, Bulgária, Áustria, Brasil e República de Cuba, a sua experiência e processo de trabalho na realização dos seus filmes e irão assistir à projecção e apresentação dos filmes dos outros participantes neste programa.

Os cineastas e os professores que orientaram este dispositivo ao longo do ano irão também estar presentes e participar no balanço anual deste programa pedagógico, e na preparação do próximo ano lectivo.

Mais de duas mil crianças e adolescentes nos países envolvidos neste dispositivo, realizaram pequenos filmes a partir das mesmas regras do jogo sobre a questão de cinema do ano em curso, o clima e a meteorologia.

A primeira parte desta oficina é consagrada ao visionamento de filmes e excertos de filmes de diferentes realizadores e géneros que ajudam a precisar e a compreender a questão de cinema em trabalho. Esta etapa é indispensável antes dos participantes neste projecto singular começarem a fazer os exercícios filmados individuais numa primeira fase e depois o filme-ensaio colectivo.

São cerca de 40 filmes colectivos entre os mais de cem filmes-ensaio realizados no âmbito deste projecto, que vamos ver ao longo de três dias na Cinemateca Francesa.  

Este dispositivo pedagógico que tem vindo a ser desenvolvido em Portugal pela mão da Associação Cultural Os Filhos de Lumière desde 2006, é realizado em parceria com a Cinemateca Francesa (coordenadora), com a Cinemateca Portuguesa e integra "O Mundo à Nossa Volta" com o apoio do Programa PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian, das Câmaras Municipais de Serpa, Lisboa e Moita, do ICA, dos Ministérios da Cultura e da Educação de França, e ainda do Instituto Camões e Embaixada de Portugal em França, das escolas e diversas entidades locais que participam no apoio ás viagens dos participantes a Paris.

O filme-ensaio do 3ºB da Escola EB1 do Vale da Amoreira será apresentado no dia 8 de Junho, o do Clube de Cinema de Serpa (Escola Secundária de Serpa e Escola Abade Correia da Serra), passará no dia 9 de Junho, e o do Clube da Cinema da Escola Secundária Camões será apresentado no dia 10 de Junho.
Fev 222016
 

No dia 20 de Fevereiro de 2016, teve lugar na Cinemateca Portuguesa, o segundo encontro do ano lectivo, entre professores e cineastas envolvidos nas oficinas que integram o programa Cinema, Cem Anos de Juventude, para balanço sobre os exercícios já realizados a partir de regras de jogo comuns aos 13 países que participam do projecto.

O tema em trabalho este ano é o clima e a meteorologia, revelando-se  através do mundo e das suas cinematografias, paisagens, luzes, maneiras de estar no mundo, de habitar e de valorizar um território.

A sessão com a participação de cineastas, professores e parceiros culturais, foi acompanhada pela coordenadora geral do programa, Nathalie Bourgeois e Isabel Bourdon (colabora no projecto através da Cinemateca francesa) e contou ainda com a participação dos parceiros da A Bao A Qu (Espanha) e Meno Avilys (Lituânia).

Foram exibidos os exercícios das escolas participantes, em Portugal, bem como em Espanha, Lituânia e França, como alguns planos Lumiére relacionados com o espaço em que o alunos vivem, na escola, na rua, na cidade ou no campo; exercícios com uma série de planos curtos que transmitem uma sensação meteorológica, ligados por exemplo, à chuva, ao sol, ao vento ou ao frio; e ainda exercícios em que a mesma cena foi filmada em diferentes situações meteorológicas  (e estações do ano).

A visualização dos exercícios filmados foi seguida de um diálogo sobre os métodos implementados em cada oficina, os desafios e particularidades dos grupos, assim como comentários em relação ao trabalho que tem sido feito e a forma como são aplicadas as regras do jogo.

Em Portugal, o programa, da responsabilidade da associação Os Filhos de Lumière, está a decorrer este ano em seis escolas em Lisboa, Moita, Serpa, Fundão e Trancoso. As sessões públicas com os filmes-ensaio finais irão decorrer em Junho nas três regiões, e também na Cinemateca Francesa, em Paris, onde serão apresentados os filmes de todos os países participantes, na presença dos professores, alunos e cineastas envolvidos nas oficinas.
Fev 202016
 

A associação Os Filhos de Lumière, acolheu em Lisboa, entre os dias 17 e 19 de fevereiro, o encontro entre os parceiros de Portugal, França, Espanha, Itália, República Checa, Roménia e Bulgária do programa europeu de educação ao cinema CinEd, para reflexão sobre as metodologias de trabalho e os objectivos já alcançados, bem como as estratégias pedagógicas e de disseminação a adoptar após o lançamento da plataforma online criada especificamente para o projecto. As sessões de trabalho tiveram lugar no espaço cultural Rua das Gaivotas e Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, e contou igualmente com a participação da associação finlandesa Ihme Filmi que irá tornar-se um parceiro do CinEd ainda durante este ano.

A tecnologia digital tem tido um importante impacto na forma não só como se produz, mas como se distribui e acede aos bens culturais. O desenvolvimento de ferramentas que permitam uma descoberta do cinema europeu, explorando a sua riqueza e diversidade, estão na base do programa, que disponibiliza uma colecção de filmes digitalizados e legendados em sete línguas, acompanhados de materiais pedagógicos, com o intuito de desenvolver a percepção e o imaginário através do encontro e o diálogo com os filmes, cineastas e cinematografias. Os filmes e respectivos cadernos pedagógicos estarão acessíveis online, numa plataforma gratuita e multilingue.
Materiais pedagógicos para professores e educadores

“A originalidade e a diversidade dos cadernos pedagógicos, bem como a proposta de ligações dentro da colecção constituem a especificidade do programa”, resume Nathalie Bourgeois, da Cinemateca Francesa, parceiro pedagógico do CinEd. Cada país está neste momento a finalizar os cadernos pedagógicos, em colaboração com cineastas e especialistas que, para cada filme propõem uma contextualização, análise e exercícios de comparação. Durante esta primeira fase de experimentação, tiveram ainda lugar comités de validação, que incluíram sessões de trabalho em pequenos grupos com dois a três países parceiros em Bari (Itália), Sofia (Bulgária) e Bucareste (Roménia).

Embora o ponto de partida seja a plataforma digital, o objectivo máximo passa por levar o cinema europeu, inicialmente em circuito não comercial, ás salas de cinema e outros espaços, como festivais, cineclubes etc, dirigido ao público escolar, havendo em cada país parceiro um trabalho de formação de professores com o apoio de cineastas e profissionais de cinema, bem como a organização de projecções-conversa com crianças e jovens. Em Portugal, a partir de Fevereiro, estão previstas actividades de formação, no âmbito do CinEd, em Évora, Lisboa e Fundão.

A importância do trabalho colaborativo

“A circulação e partilha do trabalho desenvolvido pela rede de parceiros é fundamental para o sucesso do programa”, foi um dos aspectos destacados durante o encontro em Lisboa por Léna Rouxel, responsável pela gestão global do programa, pelo Institut Français, estando previsto um simpósio em julho, na República Checa, para avaliação do primeiro ano do projecto e encontro com representantes de organizações e projectos que trabalham a educação ao cinema na Europa, e ainda diferentes sessões de trabalho entre os vários parceiros.

Durante este segundo ano do projecto, será ainda desenvolvido um caderno sobre metodologias, sob a coordenação da Cinemateca Francesa, que incluirá alguns resultados das primeiras acções, assim como recomendações práticas de trabalho com os recursos pedagógicos disponíveis na plataforma.

Nesta primeira fase os filmes disponibilizados na plataforma vão ser: Shelter de Dragomir Sholev (Bulgária, 2011); En Construcción de José Luis Guerin (Espanha, 2001); O Espírito da Colmeia de Victor Erice (Espanha, 1973); Pierrot le fou de Jean-Luc Godard (França, 1965); Rentrée des Classes de Jacques Rozier (França, 1955); Petite Lumière de Alain Gomis (França, 2003); O Sangue de Pedro Costa (Portugal, 1989); Uma Pedra no Bolso de Joaquim Pinto (Portugal, 1987); The Happiest Girl in the World de Radu Jude (Roménia, 2009) e The Way I Spent the End of the World de Cãtãlin Mitulescu (Roménia, 2006)

A coordenação geral do programa está a cargo do Institut Français, ficando a coordenação local da responsabilidade dos parceiros, em que no caso português é assumida pela associação Os Filhos de Lumière.
Set 242015
 


Nos dias 19 e 20 de Setembro, reuniram-se na Cinemateca francesa, em Paris, os parceiros que integram o projecto Moving Cinema: A Bao A Qu (Catalunha/Espanha),  Os Filhos de Lumière (Portugal), Meno Avilys (Lituânia). A França (através da Cinemateca francesa) e  o Centre for the Moving Image (Escócia/Reino Unido)
Este momento permitiu preparar o próximo encontro entre parceiros, que terá lugar em Lisboa, entre 21 e 24 de Outubro. Foi ainda debatido, em conjunto com a Cinemateca Francesa, o subprojecto "Inside Cinema", que consiste na descoberta dos processos de criação de um filme e o contacto com os realizadores e outros intervenientes no processo. Nesse sentido, a Cinemateca Francesa disponibilizou, ás organizações envolvidas e parceiras no projecto, arquivos com documentos sobre a construção de vários filmes, desde a ideia inicial aos diários de rodagem, a preparação do filme e depoimentos dos seus autores (Les 400 Coups de François Truffaut, Partie de Campagne de Jean Renoir, Pierrot le Fou de Jean-Luc Godard, por exemplo). O Moving Cinema, que entra agora no segundo ano procura ir ao encontro de novas formas que possam estimular os jovens a descobrir e a conhecer o cinema nacional, europeu e do mundo, que os levem a adquirir a capacidade de ver e de apreciar o cinema.

Desde 2014, "Moving Cinema" integra o mais recente projecto desta associação "O Mundo à Nossa Volta" apoiado pelo Programa PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian
Jun 012015
 
Dezoito jovens portugueses, entre os 12 e os 18 anos, vão apresentar na sala Henri Langlois da Cinemateca Francesa em 3, 4 e 5 de Junho de 2015  os filmes-ensaio que resultaram do trabalho de iniciação ao cinema em que participaram este ano.

Em representação de todos os  que participaram no programa pedagógico Cinema, cem anos de juventude, em escolas de Lisboa, Moita e Serpa, estes jovens irão partilhar com centenas de outros participantes de várias regiões de França, Espanha, Itália, Bélgica, Inglaterra, Alemanha, Bulgária, Áustria, Brasil e República de Cuba, a sua experiência e processo de trabalho na realização dos seus filmes e irão assistir à projecção e apresentação dos filmes dos outros participantes neste programa.

Os cineastas e os professores que orientaram este dispositivo ao longo do ano irão também estar presentes e participar no balanço anual deste programa pedagógico, e na preparação do próximo ano lectivo.

Mais de duas mil crianças e adolescentes nos países envolvidos neste dispositivo realizaram pequenos filmes a partir das mesmas regras do jogo sobre a questão do Intervalo no cinema.

A primeira parte desta oficina é consagrada ao visionamento de filmes e excertos de filmes de diferentes realizadores e géneros que ajudam a precisar e a compreender a questão de cinema em trabalho. Esta etapa é indispensável antes dos participantes neste projecto singular começarem a fazer os exercícios filmados individuais numa primeira fase e depois o filme-ensaio colectivo.

São cerca de 40 filmes colectivos entre os mais de cem filmes-ensaio realizados no âmbito deste projecto, que vamos ver ao longo de três dias na Cinemateca Francesa.  

Este dispositivo pedagógico que tem vindo a ser desenvolvido em Portugal pela mão da Associação Cultural Os Filhos de Lumière desde 2006, é realizado em parceria com a Cinemateca Francesa (coordenadora), com a Cinemateca Portuguesa e integra "O Mundo à Nossa Volta" com o apoio do Programa PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian, das Câmaras Municipais de Serpa, Lisboa e Moita, do ICA, dos Ministérios da Cultura e da Educação de França, e ainda do Instituto Camões e Embaixada de Portugal em França, das escolas e diversas entidades locais (que participaram no apoio a viagem dos participantes a Paris).

Graças ao apoio da Fundação EDF está a ser criado um novo site onde serão mostradas e aprofundadas as pistas pedagógicas lançadas ao longo de vinte anos, que ajudam a pensar, a investigar e a explorar de ano para ano, uma nova questão de cinema.

Em breve serão anunciadas  as datas de apresentação em Portugal dos filmes que resultaram deste programa nas três regiões participantes.
Ago 012014
 
Por uma política europeia
de educação ao cinema 

Junho de 2014

As boas práticas europeias que poderiam fazer escola

2- Na Europa, fora do tempo escolar escolar - A associação Os Filhos de Lumière em Lisboa

A associação Os Filhos de Lumière foi criada em 2000 por um grupo de cineastas portugueses, que quiseram desenvolver actividades de educação ao cinema, insistindo sobre a dimensão sensível da arte. A associação dirige-se a todos e procura iniciar as crianças, desde a idade dos 6 anos até aos que estão a terminar a escola. É preciso sublinhar a dinâmica e inteligência das acções que desenvolve, que podem nomeadamente compensar a escassez de acções públicas no domínio da educação ao cinema. Os Ministérios públicos portugueses foram, por causa de uma situação económica difícil, obrigados a limitar certos programas.

Os Filhos de Lumière propõe, fora do contexto escolar, um grande número de oficinas destinados a todos :

- às crianças e adolescentes : o programa O Primeiro Olhar, criado em 2001, que permite aos jovens realizar uma curta metragem, documentário ou ficção, sobre o que as rodeia : a sua cidade ou o seu bairro. Este atelier é uma forma de transmitir ao mesmo tempo noções teóricas e práticas. As realizações são depois projectadas em grand écran, nos espaços parceiros da associação.
       
- aos adultos, professores e educadores : o programa Filmar, igualmente criado em 2001, toma  a forma de discussões e análise de filmes chave da história do cinema e depois a realização de curtas metragens.

- aos  jovens estudantes de teatro e cinema : o programa Acção permite de se familiarizar e utilizar uma câmara.

A associação Os Filhos de Lumière faz igualmente parte, desde 2006 do projecto lançado pela Cinemateca francesa, Le Cinéma, cent ans de jeunesse (O Cinema, cem anos de juventude) ; e desde 2012, no intercâmbio cultural Comenius que associa as escolas da Moita em Portugal á escola de Bordils na Catalunha em Espanha.

Enfim, a associação Os Filhos de Lumière iniciou em 2013, um programa no contexto escolar. Apesar dos esforços dos poderes públicos, as projecções no período escolar e em sala de cinema não são financiadas. A associação assegura desde 2012 o programa  A Escola no Cinema  similar ao programa francês "École et Cinema". Um filme é apresentado em sala em cada trimestre, depois trabalhado na escola : os filmes de Yasujiro Ozu, Ohayo, Manoel de Oliveira, Aniki Bóbó, e Jacques Demy Les Demoiselles de Rochefort fazem parte do programa.

A associação Os Filhos de Lumière, pela qualidade do seu programa e o seu dinamismo, faz prova de uma grande eficácia, propondo acções complementares fora do tempo escolar e durante o tempo escolar e participando em projectos de dimensão extra-nacional.