Se a teoria é rapidamente esquecida,
o gesto e a experiência artística
ficam no corpo, na memória, no olhar.

Fev 012020
 

A associação Os Filhos de Lumière, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa e o Plano Nacional das Artes organiza o 2º Encontro Cinema e Educação "Indisciplinar a Escola" que terá lugar na terça-feira 11 de fevereiro de 2020 na Cinemateca Portuguesa de 9h30 a 18h00.

Num contexto em que, a somar-se aos projetos em curso dedicados à iniciação ao cinema de âmbito europeu ou nacional (Cinema Cem Anos de Juventude, CinEd, CINARTS, Shortcut, Plano Nacional de Cinema), está em pleno desenvolvimento uma nova iniciativa governamental do Ministério da Cultura com o Ministério da Educação em que se procura a inserção do cinema e das outras artes nos percursos escolares (o Plano Nacional das Artes), a Cinemateca co-organiza a segunda edição do Encontro Cinema e Educação. Dedicado à discussão alargada da relação entre a educação e as artes – não apenas o ensino artístico mas o universo mais vasto da educação pela arte e o papel das artes em todo o âmbito educativo ‐, o objetivo deste segundo Encontro Cinema e Educação (que tem como subtítulo Indisciplinar a Escola) será o de trabalhar o cinema como um dos contributos possíveis para rasgar as fronteiras mais convencionais da experiência educativa, ao mesmo tempo que se trabalha a experiência educativa como área exploratória de novos caminhos cinematográficos. Neste encontro, autores e investigadores de várias áreas – tanto do lado da educação como do lado do cinema (ou cruzando as duas, como é o caso de Alain Bergala, autor em França da mais antiga e mas ambiciosa iniciativa de cruzamento entre cinema e educação) – serão convidados a levantar questões e a debater o tema, cruzando experiências e ideias numa agenda de discussão aberta, que permita acima de tudo ampliar o âmbito conceptual normalmente tido em conta neste campo. 
Cinemateca Portuguesa

“Precisamos de repensar a conceção de “conhecimento” que está na base do nosso sistema educativo. A fragmentação disciplinar artificial e fechada em si, não promove a compreensão da complexidade do mundo, da comunidade e de cada um. A proximidade e familiaridade com as artes e o processo criativo poderão incentivar dinâmicas transdisciplinares, ou seja, indisciplinares, cruzando e integrando conhecimentos fragmentados curricularmente, permitindo uma visão de conjunto, o desenvolvimento da capacidade crítica e da sensibilidade estética, das diferentes dimensões da pessoa: a razão e a emoção, o corpo e a mente, a autonomia pessoal e a participação na vida comunitária. Mostra-se, desse modo, que as artes são parte da vida – e não um mundo paralelo, isolado da «cultura», ou numa gaveta disciplinar ao lado de outras – e que podem ter uma influência determinante no desenvolvimento de uma escola mais inclusiva.
O poder indisciplinador das artes é, ainda, outro: inquietar, desarrumando e pondo em causa a ordem e certezas habituais; gerar liberdade para a construção pessoal e coletiva, um lugar e um tempo de questionamento e abertura: forma de alimentar a curiosidade e de abraçar a incerteza. Se educar é preparar para o futuro, é necessário que a educação prepare para o desconhecido. As artes são, neste contexto, um modo de alimentar a imaginação e a criatividade - e não nos deixam na confusão ou sem solo: como escreveu Bresson sobre o cinematógrafo e o poder da montagem, o seu papel deve ser “desequilibrar para reequilibrar”.
O que pode o cinema neste movimento de indisciplina positiva e criativa? Que modo de conhecimento nos proporciona? Como usar esse depósito de humanidade na educação? 

Para debater estas questões convidamos, entre outros, Graça Fonseca, Ministra da Cultura, Nuno Artur Silva, Secretário de Estado do Cinema e Audiovisual, Luis Chaby Vaz, Director do Instituto do Cinema e Audiovisual, João Costa, Secretário de Estado Adjunto e da Educação, José Manuel Costa, Diretor da Cinemateca, Alain Bergala, Pedagogo, autor de livros e exposições sobre cinema e cineasta, Paulo Pires do Vale, Comissário do Plano Nacional das Artes, Leonardo Di Costanzo realizador, Teresa Garcia e Ana Eliseu cineastas, pela associação “Os Filhos de Lumière”, Elsa Mendes, coordenadora do PNC, professores de diversas escolas que experimentam o trabalho de educação ao cinema, João Jaime Pires director da Escola Secundária do Camões, Pedro Borges, distribuidor de cinema.

Plano Nacional das Artes
 PROGRAMA

09h30 - Recepção dos participantes
10h00 - Sessão de abertura
Intervenções de Nuno Artur Silva (Secretário de Estado da Cultura), João Costa (Secretário Estado da Educação), Paulo Pires de Vale (Plano Nacional das Artes), Luís Chaby Vaz (Instituto do Cinema e do Audiovisual), José Manuel Costa (Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema), Teresa Garcia (Os Filhos de Lumière)
11h00 - Pausa para café
11h30 - Estudos de caso /A Experiência do Cinema / A Escola e as Salas de Cinema
Participantes: Professores, Alunos, João Jaime Pires (Escola Secundária de Camões), Ana Eliseu (Os Filhos de Lumière), Neva Cerantola (Cinemateca Júnior), Pedro Borges (Cinema Ideal - Lisboa), outros.
Moderação: Teresa Garcia
12h30 - Debate
13h00 - Almoço
14h30 - O que Pode a Escola?
Participantes: Alain Bergala, Paulo Pires do Vale, Leonardo Di Costanzo, Teresa Garcia.  Moderação: José Manuel Costa
16h00 – Pausa para café
16h30 - Debate final
Moderação: Teresa Garcia e José Manuel Costa

(Haverá tradução simultânea para as comunicações de Alain Bergala e de Leonardo Di Costanzo)
O Encontro de entrada livre mediante levantamento de ingresso na Bilheteira. Os interessados em participar no Encontro são convidados a inscrever-se através do e-mail divulgacao@cinemateca.pt
Jan 312020
 
Em abertura do 2º Encontro Cinema e Educação "Indisciplinar a Escola" -  organizado conjuntamente pela Cinemateca Portuguesa, o Plano Nacional das Artes e a associação Os Filhos de Lumière - o filme "L'Intrusa" de Leonardo Di Costanzo será apresentado na segunda-feira 10 de fevereiro de 2020 às 21h30 na Cinemateca Portuguesa com a presença do realizador.

A projecção será seguida de uma conversa com Leonardo di Costanzo e Alain Bergala.

"Como numa Antígona moderna, somos apresentados a Giovanna, trabalhadora abnegada numa casa que alberga crianças desfavorecidas da cidade de Nápoles. A entrada em cena de Maria, a mulher de um perigoso criminoso da Camorra, e das suas duas filhas vai desestabilizar esta frágil comunidade, colocando Giovanna numa situação de impasse, entre a decisão de expulsar ou de proteger esta família. Di Costanzo, cineasta com uma longa carreira no documentário, assina aqui apenas a sua segunda longa-metragem de ficção, recorrendo a cenários naturais e atores não profissionais (muito deles crianças e jovens) que falam o pouco ouvido dialeto napolitano. " in programa da Cinemateca Portuguesa
Jun 182019
 

O Plano Nacional das Artes (PNA) foi apresentado na terça-feira dia 18 na sala de ensaio dos Estúdios Victor Córdon, pelo seu comissário, Paulo Pires do Vale, o Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues e a Ministra da Cutura, Graça Fonseca, na presença da secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, e do secretário de Estado da Educação, João Costa e dos agentes culturais, associações, artistas, professores e representantes de museus e entidades ligadas à cultura e à educação.

Paulo Pires do Vale apresentou as estratégias e as medidas principais do Plano e as perspectivas do desenvolvimento das actividades, entre 2019 e 2024.

Foi publicado uma brochura apresentando “uma estratégia, um manifesto” disponível aqui (em pdf)

Nesta brochura figura uma fotografia das filmagens do exercício 2 dos alunos do Clube de Cinema da Escola Secundária Miguel Torga, em Queluz, Sintra,  realizado no âmbito do programa pedagógico “Cinema, cem anos de juventude 2018-209”, sobre o tema "A Situação no Cinema", integrado no projecto “O Mundo à Nossa Volta” da associação Os Filhos de Lumière.