2013-2014 O plano-sequência

 

 CINEMA, CEM ANOS DE JUVENTUDE 2013-2014

TEMA – O PLANO-SEQUÊNCIA

“O cinema nasceu com o plano-sequência, assim como pelas mãos de Edison e dos irmãos Lumière”.

Seria preciso esperar quinze anos para que os cineastas inventassem a montagem. Mas a montagem nunca foi uma alternativa à exclusão do plano-sequência com quem nunca mais deixou de conviver, de dialogar. A cada nova geração, depois de cento e quinze anos, surgem “cineastas do plano-sequência”, para quem é a melhor maneira de fazer o cinema que corresponde à sua visão do mundo. Mas a maior parte dos cineastas recorrem ao plano-sequência, por momentos, nos seus filmes, mesmo se fizeram a escolha de um cinema de montagem, quando o filme precisa ou quando eles sentem essa necessidade.

Não há um modelo único de plano-sequência, há antes uma grande variedade, correspondente a diferentes funções (olhar, contemplar, contar, esperar, inquietar, dramatizar, etc.) e a diferentes estéticas (estética da cena/ estética do fora de campo/ estética da fixidez / estética do movimento/ estética da renovação dos sentidos / estética da exaustão dos sentidos/ estética da tensão entre as figuras / estética da harmonia entre as figuras; etc.).

Elaboraremos a tipologia, extremamente rica, tentado identificar as principais matrizes dos planos-sequência inventados, ao longo da sua história, pelo cinema. Não se pensará o plano-sequência em oposição à montagem mas como uma opção maior, um gesto sempre possível em cada filme, independentemente das suas escolhas de base. Confirmar-se-á que as verdadeiras escolhas, abertas e múltiplas, estão apenas no começo quando decidimos fazer um plano-sequência.”

Alain Bergala.

PISTAS PARA A ANÁLISE DE EXCERTOS DE FILMES

Escolher acompanhar o visionamento de certos planos-sequência pelos fotogramas (capturas de ecrã) dos diferentes momentos-chave do plano. Reencontrar o trajecto da câmara em relação às personagens (desenho de uma planta ou reconstituição com os alunos).

Pode-se também imaginar como esse plano-sequência poderia estar cortado em vários planos.

“Animar” (no sentido figurado) as imagens fixas – pinturas, fotografias – seleccionadas pelo Cinema en Curs, que são apresentadas no DVD de excertos de filmes, isto é, inventar pequenas ficções inspiradas por essas imagens, imaginando o tipo de plano-sequência que lhes corresponderia.

 EXERCÍCIOS

 1/ Olhar

Minutos Lumière: registar o mundo à volta de si.

À maneira dos operadores Lumière, cada aluno filma o seu minuto, um minuto de plano fixo (interior ou exterior) mas sonoro.

Escolher um local, um tema, um momento e registá-lo, sem mise-en-scène.

Apenas um minuto por aluno, e espera-se até que todos os alunos da oficina tenham realizado os seus minutos para serem visionados todos juntos.

Caso haja um grande número de alunos, pode-se pedir-lhes que procurem locais ou temas em grupos pequenos, mas dentro do grupo, cada um deve então filmar um minuto diferente, naquele local, escolhendo o seu próprio enquadramento, o seu momento, etc.

Nota: todos os participantes (professores, intervenientes e, se possível, parceiros culturais) arriscar-se-ão igualmente a filmar o seu minuto Lumière.

2/ Contar

Contar uma situação curta, que será filmada em plano-sequência (máximo de 2 a 3 minutos máximo por versão):

- primeiro, filmar em plano fixo

- depois, com movimento de câmara. (os mesmos actores, a mesma situação – a matriz destes planos varia segundo o plano fixo ou em movimento).

Indicar a que matriz da tipologia do DVD (ou outra) o plano-sequência realizado tem a ver: cena-dupla, contar uma história, plano contemplativo, actuação física, mudanças durante o plano, bifurcação, etc.

Prestar-se-á especial atenção ao som neste exercício.

FILME ENSAIO

“A certa altura, a(s) personagem(ns) tem um encontro que a perturba”.

Realizar um filme (8 a 10 minutos no máximo) que pode ter cortes,  com montagem ou não, mas que incluirá vários planos-sequência.

Num dos planos-sequência, a câmara deverá esquecer a (ou as) personagem (s) tornar-se autónoma, seguir outro caminho, e depois reencontrar a sua ou as suas personagens. Este momento gerará uma emoção ou uma sensação no espectador.