Fev 182013
 

 

Para este primeiro colóquio realizado no âmbito do programa “A Iniciação ao Cinema: Experiências e Reflexões” que vai decorrer no dia 21 de Fevereiro de 2013, entre às 10h00 e às 16h30, no Auditório do Institut Français de Portugal,  convidamos várias pessoas/entidades a fazer uma reflexão sobre a sua prática, a sua experiência de transmissão, as suas convicções acerca do como fazer e desenvolver o encontro com o cinema, na escola, na comunidade, por vezes numa região onde o cinema quase não tem existência concreta. Para além de Nathalie Bourgeois directora do Serviço Pedagógico da Cinemateca Francesa que coordena o programa pedagógico Le Cinéma, cent ans de jeunesse / Cinema, cem anos de juventude, contamos também com a presença  das responsáveis de duas associações que levam a cabo um vasto projecto de iniciação ao cinema, na Catalunha em Espanha (A Bao A Qu) e no Brasil (Imagens em Movimento), com cineastas e representantes de instituições, associações, cineclubes, escolas e autarquias, de várias regiões de Portugal onde existe um projecto, uma prática de sensibilização ao cinema.


A nossa grande preocupação é sensibilizar crianças e jovens para a arte cinematográfica. Mostrar imagens que as crianças não estão habituadas a ver e, sobretudo, imagens que elas não têm a oportunidade de ver. E dar-lhes pistas para que olhem essas imagens de outra maneira, para que através delas desenvolvam um contacto mais intenso e exigente com as coisas da vida e do mundo. É necessário levar ao conhecimento dos seres em crescimento o cinema como forma de contar histórias através da sua matéria específica: a matéria cinematográfica. Levá-los a criar um imaginário através da descoberta de espaços e tempos, formas e cores, sons e ritmos, palavras e lugares, paisagens e universos, etc., graças à experiência insubstituível que as grandes obras de cinema proporcionam.


O cinema é também o encontro com o mistério, com os segredos do mundo, com o próprio mundo, próximo ou longínquo, e com cada um de nós. No contacto com os filmes, na situação de aprendizagem pelo cinema, na passagem ao acto de filmar ganha-se muito, às vezes tudo, se essa transmissão for protagonizada por alguém para quem o cinema é vital.


Como os mais novos aprendem com o corpo e com os sentidos, a experiência prática aliada ao contacto e análise dos filmes ajuda-os a ir mais longe no seu processo de conquista de horizontes alargados. As crianças envolvidas nas práticas implementadas aprendem a observar o que as rodeia, a reinventar o espaço e as coisas, a fazer escolhas, a tomar decisões, a desenvolver a auto-exigência, o rigor, a atenção, a concentração, a capacidade de trabalhar em equipa etc. Aprendem ainda a partilhar os seus filmes e experiências com os outros a exprimirem  os seus sentimentos e as suas descobertas


Falar de todas estas questões é também falar de todas as dificuldades e de todas as batalhas que é preciso travar para que estes projectos existam e sobretudo para que se desenvolvam. Se a sua importância é cada vez mais discutida e reconhecida em toda a união europeia e em muitos outros países, na prática estes projectos são muito pouco considerados, muito pouco apoiados e sobretudo quase não se fala e não se reflecte sobre eles. É também isso que este encontro/colóquio procura combater.



Participantes: Nathalie Bourgeois (Service Pédagogique de la Cinémathèque Française), Ana Dillon (Associação Imagens em Movimento, Rio de Janeiro), Núria Eidelman (Associação A Bao A Qu, Barcelona), Maria do Carmo Piçarra (Investigadora na área do Cinema),  Ana Eliseu (Cineasta), Maria João Taborda (Investigadora/Apordoc), Regina Guimarães, Saguenail, Rossana Torres, Teresa Garcia (Cineastas/ Os Filhos de Lumière), Rodrigo Francisco (Cineclube de Viseu), Graça Lobo (programa JCE/Juventude-Cinema-Escola, Direcção Regional da Educação do Algarve), Neva Cerantola (Cinemateca Júnior), Sofia Figueiredo (Câmara Municipal da Moita/Cultura), Isabel Estevens (Câmara Municipal de Serpa/Cultura).