Se a teoria é rapidamente esquecida,
o gesto e a experiência artística
ficam no corpo, na memória, no olhar.

Jun 142008
 















Este ano, 25 ateliers artísticos foram organizados nas escolas e nos liceus, tanto em zonas rurais, pequenas cidades como nas grandes aglomerações urbanas.
Todos os alunos seguiram as mesmas regras do jogo para abordar e compreender a questão que lhes foi proposta: o ponto de vista no cinema.
Para apreender esta noção fundamental, todos trabalharam numa primeira fase a partir de excertos de filmes que analisaram na escola. Numa segunda fase, realizaram curtos exercícios que experimentavam pontos de vista objectivos ou subjectivos, visuais ou sonoros, centrados ou não sobre a acção principal, etc.
Enfim, para os filmes-ensaio (filmes finais) cada turma dirigiu o trajecto de ida de duas personagens a um lugar familiar para um encontro e o trajecto de regresso de uma das duas personagens que se confrontou (nesse encontro) com uma situação perturbante.
Encontramos filmes onde a perturbação e a inquietude se encarnavam no trabalho dos actores, mas também na luz e na forte presença das paisagens: desde os campos de trigo portugueses aos ambientes urbanos e nocturnos da Catalunha, o vento e a chuva abatendo-se sobre Evreux mas também sobre Marselha...
Para lá da questão do ponto de vista, os alunos confrontaram-se com muitas outras questões de cinema : como filmar uma paisagem, captar uma luz e criar a atmosfera de uma cena, encarnar as personagens e dirigir os actores, encontrar o bom ritmo na montagem, etc.
A descoberta dos filmes realizados nos ateliers portugueses no ano passado suscitaram visivelmente um formidável e inédito desejo de filmar a paisagem, de estar mais atentos à luz em todos os outros ateliers. A ausência de impaciência e a atenção que estes filmes testemunham instauraram, por contágio, uma qualidade de escuta e de olhar na sala, que nós não ousávamos esperar.
Ao ouvir o silêncio durante as projecções assim como os comentários durante os debates, e como o sublinhou Alain Bergala que acompanha este projecto desde o seu início em 1994, viu-se muito nitidamente que para um muito grande número de alunos presentes, “uma experiência de cinema aconteceu verdadeiramente.
Nathalie Bourgeois -12 de Junho de 2008
in Paisagem, o trabalho do tempo
Doc's Kingdom 2008
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